SP: workshop reuniu 110 participantes para discutir toxicologia, resíduos e alternativas para controle de carrapato do boi

SP: workshop reuniu 110 participantes para discutir toxicologia, resíduos e alternativas para controle de carrapato do boi

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

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Nova Odessa/SP

O Instituto de Zootecnia (IZ), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, que tem por tradição o estudo do carrapato e seu hospedeiro, reuniu, em agosto passado,  110 participantes – técnicos, produtores, professores, pesquisadores e alunos de graduação e pós-graduação –, para debater, com 12 professores e pesquisadores, sobre carrapaticidas e a toxicologia, os resíduos e as alternativas. Em breve, estarão disponíveis, online no site do IZ, os Anais do VI Workshop Controle do Carrapato do Boi.

Coordenado pela pesquisadora Cecília José Veríssimo, o tema é considerado de grande relevância para o agronegócio. Estimativas recentes calculam que os prejuízos causados pela infestação de carrapatos em bovinos ultrapassam U$ 3,4 bilhões ao ano, somente no Brasil.

O ectoparasita causa grandes prejuízos no desempenho produtivo e econômico dos sistemas de produção, decorrente de reduções no ganho de peso e na produção leiteira, diminuição na fertilidade, ocorrência de doenças, transmissão de patógenos, danos ao couro, estresse animal, perdas por morte.

O custo de produção de leite, por exemplo, pode ser elevado em decorrência do manejo sanitário, com destaque para o controle do carrapato Rhipicephalus (Boophilus) microplus, um dos parasitas mais nocivos aos bovinos de origem europeia e mestiços, principalmente os da raça Holandesa, uma das mais suscetíveis ao carrapato.

Segundo Cecília, as raças zebuínas, como Nelore, Gir e Guzerá, muito utilizadas no Brasil, têm resistência natural aos carrapatos, diferente das raças europeias, muito suscetíveis a esses ectoparasitas. “Por ser o carrapaticida, ainda, o principal meio de controle do parasita, o fenômeno da resistência está espalhado por todo o país e novas formas alternativas de controle são cada vez mais necessárias”, destacou Cecília.

O IZ está desenvolvendo um produto a base de óleos essenciais – um fitoterápico oriundo de substâncias naturais com ação acaricida e repelente –, que já apresenta resultados promissores no controle do carrapato.

Segundo Cecília, o produto está em fase de uma formulação comercial. “É um produto natural, com baixa toxicidade, que combate com eficiência o carrapato nos bovinos e poderá ser usufruído de imediato pelos produtores, beneficiando principalmente os animais.”

O projeto em desenvolvimento no IZ em parceria com a empresa HYG System avaliou a eficácia em relação a pragas de importância veterinária, como a mosca do chifre, mosca do berne, mosca dos estábulos e o carrapato. Estão à frente do projeto as pesquisadoras Cecília José Veríssimo, Luciana Morita Katiki, e o mestrando do IZ, Leandro Rodrigues.

De acordo com Cecília, as melhores estratégias de combate, ainda, estão na rotação de piquetes, uso de fungos na pastagem, já recomendados para pragas da pastagem, como, por exemplo, o Metarhizium anisopliae, rotação pasto x cultura, adubação orgânica com aplicação de fungo ou nematoide entomopatogênico, ou adubação dos piquetes com ureia, descarte de animais susceptíveis, uso de raças mais resistentes, como a Jersey ou animais mestiços zebuínos, como a Girolanda. “Criar a raça Gir leiteiro ou Guzerá leiteiro seria a solução ideal para quem quer produzir leite sem ter problemas com o carrapato. No gado de corte, o problema do carrapato está resolvido, pois a raça Nelore é a mais resistente de todas ao parasito.”

Os palestrantes do Workshop, ligados à agricultura orgânica, também, debateram sobre o assunto, apontando alternativas para o problema e possibilidades de se criar animais com o uso mínimo ou nenhum de carrapaticida químico.

O workshop foi aberto com Fabio Barbour Scott, da Ufrrj, e Carlos Perez, da Esalq/Usp. O tema da primeira mesa redonda foi “Carrapaticidas: é possível criar bovinos sem usá-los?”,  moderada por Evandro Massulo Richter, do Centro Paranaense de Referência em Agroecologia, Pinhais (PR), com os palestrantes Fabíola Fernandes Schwartz, veterinária e assessora em Boas Práticas Agropecuárias, produção agroecológica e orgânica animal, Paulo Renato Tamassia Pégolo, médico veterinário da Cati de Avaré (SP), Cecília José Veríssimo, pesquisadora do IZ, e Welber Daniel Zanetti Lopes, da Ufgo Goiânia (GO).

Para Richter, este ano, o workshop reforçou as ações sistemáticas no Controle do carrapato e também as ações em relação aos resíduos químicos nos alimentos. “Esteve excelente, pois abriu um universo de possibilidades para todos. Trata-se de um assunto específico do controle no cotidiano, e foi possível mostrar que tem pesquisa e uma diversidade de entidades envolvidas no assunto”, destacou.

“O controle do carrapato é algo dinâmico e deve integrar diferentes abordagens e uma visão sistêmica da propriedade, entendendo as relações do animal com o manejo, sistema de pastoreio, bem-estar, clima, atuando de forma sistêmica no controle do carrapato utilizando princípios da agroecologia, sem o uso de carrapaticidas convencionais”, ressaltou Richter.

Richter, ainda, explicou que a utilização de práticas de manejo para evitar o estresse dos animais jovens é um dos pontos principais da estratégia de controle, manejo das pastagens, evitando sobras excessivas de forragem que podem servir de abrigo para teleóginas e larvas. “A utilização de uma carga animal adequada, roçadas estratégicas para aumentar a exposição solar e reduzir plantas com baixa palatabilidade, também, colaboram para um efeito positivo no controle do carrapato.”
A segunda mesa redonda, com o tema “São os carrapaticidas pesticidas?”, contou com o moderador por Romário Cerqueira Leite, da Ufmg de Belo Horizonte (MG), juntamente com os palestrantes Claudia Helena Pastor Ciscato, pesquisadora do Instituto Biológico (IB), Wilkson Oliveira Rezende, do Mapa, Brasília (DF), Maria Izabel Camargo Mathias, professora da Unesp Rio Claro (SP), e  Maria Martha Bernardi, professora da Unip em SP.

Para Romário Cerqueira, o evento mostrou que há alternativas, muito avançadas que poderão ser utilizadas para enfrentar o problema, mas disse também que “outro ponto muito importante está em capacitar melhor a mão de obra sobre o controle de carrapatos, enfatizando a criação de políticas públicas para essa área".

A pesquisadora do IB, Claudia, salientou que vem aumentando o consumo, de alimentos seguros, por seres humanos e animais. Para verificar, por exemplo, a conformidade do uso de agrotóxicos nos alimentos – presença de substâncias de uso recomendado, de uso não intencional ou contaminante do alimento do animal –, há programas nacionais de controle de resíduos de agrotóxicos em alimentos, principalmente os de origem animal.

“Os carrapaticidas (acaricidas), na sua maioria, são substâncias químicas (praguicidas), muitos também com ação inseticida e amplamente utilizados na agricultura e pecuária, assim, o conhecimento destas substâncias, associados ao uso de boas práticas na produção de alimentos e os estudos de monitoramento de resíduos de contaminantes em alimentos são uma importante ferramenta do governo para o controle da qualidade dos alimentos”, detalhou Claudia.

Também foram apresentados estudos pela pesquisadora Maria Izabel sobre detalhes da morfologia do carrapato e seus hospedeiros, que mostram como produtos químicos e naturais podem ser tóxicos para ambos. Já a pesquisadora Maria Martha mostrou as pesquisas que vêm realizando com ivermectina e sua ação no sistema reprodutor de roedores machos, que comprometem o comportamento sexual e os níveis de testosterona, além da correlação com lesões testiculares. Foi observado redução no peso testicular, volume testicular e das células de Leydig.

“Para controlar o carrapato, os produtores têm aumentado a frequência das aplicações do carrapaticida, e a concentração do produto na solução, a despeito do que é indicado por bula. Por causa disso, têm sido cada vez mais comum a intoxicação de animais e de pessoas que aplicam os produtos, sem contar a contaminação ambiental e os resíduos na carne e no leite”, enfatizou Cecília.

Controle
Ao utilizar controle químico ou natural, é muito importante que a quantidade de calda atinja bem a pele do animal, por isso é importante a pressão na pulverização do produto. Deve-se pulverizar de baixo para cima, a fim de que o produto possa ultrapassar a barreira dos pelos. A tosquia do pelame também pode contribuir para o controle do carrapato, uma vez que animais com os pelos curtos têm menos carrapatos.
Cecília destaca que a capacitação de mão de obra colabora em muito no controle do carrapato. “O conhecimento sobre o assunto como um todo – biologia do carrapato e formas de controle sempre são úteis ao produtor.”

Outro fator importante, destacado pela pesquisadora, está no uso do EPI (Equipamento de Proteção Individual). É a forma que o aplicador tem de se defender dos produtos que estão sendo aplicados nos animais,pois esses produtos podem causar intoxicação tanto no homem, como nos animais. “Por isso, a importância de se respeitar a dosagem recomendada na bula do produto, e jamais alterar a quantidade, seja para menos como para mais, pois cada produto químico vem com uma dosagem correta a ser aplicada sobre os animais”, sublinhou Cecília.


 


Fonte: Instituto de Zootecnia (IZ) 

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